Ao logo de mais de quase uma década e meia atuando com gerenciamento de crises e ressignificação de situações de conflitos, meu olhar sobre este elemento comum de nossas vidas mudou completamente.

Talvez a principal mudança tenha sido deixar de enxergar o conflito como um mal em si mesmo e compreendê-lo como uma consequência, uma seta apontando para algo mais profundo e que de fato deve ser olhada e resolvido.

Por trás dos conflitos, aparentes ou percebidos, costuma existir diversos elementos primários que dão origem ao conflito que percebemos. Em cada conflito existem pessoas e dentro de cada pessoa todo um universo de pensamentos, emoções, valores, medos, expectativas, frustrações etc.

Os pensamentos geram emoções, as emoções geram ações e essas ações geram os resultados, que pode culminar em um conflito. Ocorre que este resultado pode se tornar um padrão que nos leva a repetir o mesmo tipo de resposta ou reação diante de outras situações, guiados pelo subconsciente.

Conhece pessoas que costumam a agir ou reagir quase sempre da mesma forma diante de uma situação? Exemplo, um casal onde o marido tem o “hábito” de não avisar quando vai chegar mais tarde do trabalho, um padrão, e uma esposa que tem o hábito de se irritar e achar que está sendo traída, daí nasce o conflito. Isso são padrões. Um trabalhador que em cada serviço pelo qual passa recebe uma observação ou uma correção do chefe ou contratante e sempre pensa que está sendo perseguido ou injustiçado, e se defende discutindo. Isso é padrão reativo.

Essa perspectiva nos traz o alerta sobre a possibilidade de nossas ações e reações, que consideramos genuínos e originários, serem frutos repetições de programações mentais e padrões comportamentais, podendo gerar os “entravamentos” diante de determinadas situações e conflitos.

A relevância dessa perspectiva dentro do cenário de ressignificação, que faz parte da metodologia que desenvolvi em 2013, após retornar de uma jornada pelo Programa de Negociação da Universidade de Harvard e da atuação junto à Association For Conflict Resolution, de Nova York, é que podemos estar lidando com sombras, que são os conflitos aparentes, e não com a realidade ou com as pessoas pessoas reais, mas suas “sombras” projetadas pelo subconsciente, uma verdadeira representação da alegoria da caverna de Platão. Enquanto não enxergarmos as pessoas por trás dos conflitos (separando as pessoas dos seus próprios problemas) estaremos dentro de uma postura de remediar a situação e não resolver plenamente e conscienciosamente.